Uma Compostchêira na minha vida!!

20 de outubro de 2018
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Há muito tempo separamos os resíduos, mas a compostagem veio um pouco mais tarde, quando comecei a ler a respeito das possibilidades de uso residencial. Recentemente o Ministério do Meio Ambiente divulgou o Manual de Orientação para a Compostagem Doméstica, Comunitária e Institucional, o qual afirma existir no Brasil uma expressiva experiência e projetos de sucesso sobre “técnicas de compostagem e de formas inovadoras de gestão dos resíduos orgânicos, demonstrando formas de aproveitar o potencial de descentralização na gestão destes resíduos e gerando diversos benefícios econômicos, sociais e ambientais em comparação com o paradigma atual predominante no Brasil, que é o aterramento de resíduos orgânicos” (MMA, 2017). Então, mesmo que a gestão municipal não tenha propostas de compostagem, é possível e viável fazê-lo em casa!

Apesar da vontade de construir uma composteira de alvenaria, nosso terreno é muito desnivelado e não concluímos ainda a organização do pátio/jardim/espaço. A solução para os orgânicos vinha sendo enterrá-los na horta. Plantamos chás e ervas e algumas hortaliças e legumes. Entre estes cultivos fizemos buracos fundos, enterramos os orgânicos e tapamos com grama cortada ou folhas secas. Quando o buraco enchia, utilizávamos outro e após um tempo as sobras orgânicas estavam decompostas.

Embora resolvesse a questão dos RESÍDUOS orgânicos, evitando ir para a coleta convencional (ainda que separados), ignorava o POTENCIAL BIOLÓGICO das sobras de frutas e verduras, que podem ser aproveitadas como composto de ótima qualidade. Assim, “para que nossas atitudes sejam modelo a toda Terra”, e principalmente porque “educa-se pelo exemplo”, dia 25/07/2018 recebi minha Compostchêira, numa tarde de agradável conversa ambiental com a querida equipe. Recebemos muitas orientações e também o Manual de Compostagem, que ilustra e explica os processos e cuidados necessários. Um processo simples, para um resíduo que “é TUA responsabilidade (e não somente da esfera pública)” (COMPOSTCHÊIRA, 2017).

Optamos por um módulo para quatro pessoas, por orientação do pessoal da Compostchêira. É importante dimensionar corretamente a composteira, considerando hábitos alimentares e quantidade de usuários. Moramos duas pessoas, mas consumimos muitos vegetais. Levo diariamente para o trabalho duas porções de frutas para o lanche, além do almoço. Assim, produzimos aproximadamente um pote de sorvete cheio de sobras orgânicas diariamente. Inicialmente pensei que encheríamos ela muito rápido, porém não imaginava que as minhocas californianas fossem tão vorazes! O pessoal comentou que deveríamos levar ao menos 45 dias para encher a primeira caixa. Estamos há 50 dias compostando e ainda há espaço no primeiro compartimento! As minhocas devoram nossas sobras orgânicas!!

Apesar da separação ser uma rotina em nossa casa, notamos algumas mudanças depois que iniciamos a compostagem. Inicialmente ficou evidente o quanto desperdiçamos de alimento, ainda que essa já fosse uma preocupação nossa. Digo isso em relação às folhas não aproveitáveis das hortaliças, cascas não consumíveis (mamão, manga, batata) e extremidades ou “estragadinhos” dos vegetais (cenoura, abobrinha) – não colocamos um tomate fora só porque tem um pedacinho ruim, né!?! Importante ressaltar que o Brasil é um dos países que mais desperdiçam alimentos no mundo. Goulart (2008) afirma que das 375 milhões de toneladas de alimentos consumidos no mundo, a maioria de origem vegetal, aproximadamente 4 milhões de toneladas são desperdiçadas anualmente. Por outro lado, Storck et al. (2013) analisaram folhas, talos, cascas e sementes de vegetais que usualmente não são consumidos e observaram alto teor nutricional e boa aceitação das receitas, em relação à percepção sensorial – portanto, aproveitar os vegetais de forma integral é possível e necessário. Também percebemos que produzimos bastante borra de café e erva mate – reflexo do nosso cotidiano frenético!?! Em suma, os resíduos que produzimos, recicláveis, orgânicos ou rejeitos, retratam a nossa rotina!

Optamos por deixá-la na área de serviço – é arejada e não pega sol direto. Isso nos fez ver que o lugar que considerávamos ideal para a composteira seria inviável, já que recebe sol muitas horas do dia. O lugar escolhido também facilita o manuseio: fica perto da cozinha. Passamos a picar nossas sobras orgânicas – facilita o trabalho das minhocas! Esse processo é interessante, pois nos faz refletir ainda mais sobre o que consumimos e produzimos no nosso dia a dia. Não é necessário triturar, apenas rasgar com as mãos pedaços maiores, como aquele talo da base dos brócolis, rodelas grandes de tomate ou sobras de batata muito volumosas. E por falar em saladas, essas, quando sobram, necessitam de um cuidado especial antes de colocarmos na composteira – se estiverem temperadas. É preciso “passar uma água” antes do descarte, isto é, lavar brevemente. Os condimentos impedem a decomposição da matéria orgânica.

Estamos muito felizes por acompanhar esses processos biológicos acontecendo aqui dentro de casa, degradando nossas sobras orgânicas e ainda por cima produzindo um excelente adubo! Estamos ansiosos para retirar nosso composto e melhorarmos a qualidade do solo da nossa horta e jardim!! Muito bom poder perceber esses ciclos perfeitos da natureza, onde, conforme Antoine Lavoisier, “nada se cria, nada se perde, mas tudo se transforma”! Se você já separa os resíduos corretamente, a compostagem é uma ótima opção para reaproveitamento dos orgânicos, especialmente porque este tipo de resíduos representa mais de 50% do total gerado no ambiente doméstico (MMA, 2017)!

Vanessa Schweitzer dos Santos – bióloga, mestre em Engenharia Civil/Gerenciamento de Resíduos, professora no Centro de Educação Ambiental Ernest Sarlet/Novo Hamburgo/RS

 

Referências:

COMPOSTCHÊIRA. Manual de Compostagem Doméstica. 2017, Disponível em: <http://compostcheira.eco.br/manual-de-compostagem/>

MMA – Ministério do Meio Ambiente. Compostagem doméstica, comunitária e institucional de resíduos orgânicos: manual de orientação. Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo, Serviço Social do Comércio. — Brasília, 2017. 168 p.

GOULART, R. M. M. Desperdício de alimentos: Um problema de saúde pública. Revista Integração. ano XIV, n 54. 2008.

STORCK, C. R. et al. Folhas, talos, cascas e sementes de vegetais: composição nutricional, aproveitamento

na alimentação e análise sensorial de preparações. Ciência Rural, v.43, n.3, p.537-543. 2013.

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