PANCs

10 de junho de 2020
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Capuchinha, trevo, oro-pro-nobis, dente de leão. Pancs na horta

Neste período de isolamento social causado pela pandemia do coronavírus (estamos em junho de 2020), muitas pessoas estão buscando colocar em prática antigos desejos/projetos que sempre aguardaram por um pouco mais de tempo e um bom motivo para sair do papel. Se chegastes até este texto, então o seu “reprimido” projeto consiste em criar uma Horta em pequenos espaços. Para tanto, as PANCs irão te ajudar bastante nessa tarefa.

Seja por vontade de cuidar melhor da alimentação, por questões ecológicas ou por lazer, parece ser uma ótima ideia iniciar uma Horta. Agora que tens (i) tempo e um (ii) motivo (ou motivação) para colocar em prática esse antigo projeto, surgem questões básicas: “Por onde começar?”, “O que devo plantar?”, “Quais plantas são mais fáceis de cultivar?”…

Provavelmente, as plantas que primeiro surgem em sua mente para iniciar sua horta são as que costumamos comprar nos supermercados e feiras, tais como: alface, tomate, cenoura, beterraba, couve, etc. O objetivo deste texto é falar um pouco sobre as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), ou seja, plantas que dificilmente são comercializadas e, consequentemente, não costumam aparecer em nossa dieta. Elas são conhecidas como as PANCs. Iremos abordar na sequência as seguintes questões: ‘Um breve histórico das PANCs’; ‘quais os benefícios e as vantagens de cultivá-las?’; e, por fim, iremos listar ‘algumas PANCs que não podem faltar na tua horta’.

Um breve histórico das PANCs

Um dos grandes eventos ocorridos no tumultuado século XX foi o constante deslocamento de pessoas das áreas rurais para as cidades. Essa nova realidade urbana aliada a rotinas cada vez mais aceleradas de compromissos, criaram uma profunda alteração nos hábitos e costumes alimentares, ou seja, geração após geração os ambientes urbanos e as rotinas aceleradas têm contribuído para a perda do contato e do conhecimento de plantas que eram consumidas por nossos ancestrais. Buscando resgatar e conservar esse conhecimento, o conceito de PANCs foi devidamente desenvolvido pelos autores Valdely Kinupp e Harri Lorenzi em seu livro ‘Plantas Alimentícias Não Convencionais PANC no Brasil’, que é considerado a “Bíblia” das Pancs.

No Brasil temos registrado atualmente cerca de 10 mil espécies de Pancs, porém, desse vasto número utilizamos frequentemente apenas 300. A utilização do conceito de PANC pode variar de uma região para outra, pois, plantas muito consumidas (e até mesmo muito comercializadas) em determinada região, podem simplesmente ser negligenciadas em outras, o que a classificaria como PANC. Da mesma forma, partes negligenciadas de plantas muito frequentes na dieta das pessoas e que são comercializadas em larga escala, podem ser classificadas como PANC, como por exemplo: as folhas da beterraba, a folha da batata-doce e o coração da bananeira. Portanto, poderíamos definir o conceito de PANC como toda planta ou parte de planta que satisfaça 4 (quatro) critérios: 

– Pode ser consumida na dieta humana ou animal;

– Desenvolvimento espontâneo;

– Não são consumidas regularmente nas dietas alimentares;

– Não são comercializadas com frequência;

Visando mudar a alimentação, seja para evitar alimentos contaminados por agrotóxicos, seja por revisão da dieta alimentar, ou mesmo por filosofia de consumo (veganismo, por exemplo), iniciar o projeto da Horta cultivando algumas PANCs parece ser uma ótima escolha.

Composteira de Jardim é mais prática e segura

Alguns benefícios em cultivar PANCs

Já que falamos em motivação, é interessante conhecermos os benefícios que o consumo dessas plantas causam para a nossa saúde. Muitas vezes confundimos as PANCs como ervas ou matos, mas na verdade, a grande maioria delas possuem uma enorme quantidade de proteínas, fibras e minerais. Além disso, por se tratarem de plantas que em grande parte são rústicas, são facilmente encontradas em jardins (em ambientes urbanos) e costumam ser resistentes a pragas, o que facilita o cultivo orgânico, sem o uso de agrotóxicos, diferentemente da maioria das plantas comercializadas em mercados e feiras.

Para que você possa iniciar seu projeto de cultivo de alimentos em casa, é importante que conheça algumas espécies de PANCs. Abaixo vamos falar sobre as mais comuns e mais fáceis de serem cultivadas na região sul do Brasil.

  • ALMEIRÃO DO CAMPO (ou Almeirão de Roseta): Durante o nosso inverno as famosas sopas ganham destaque, e pensando nelas, o Almeirão do campo é um ótimo ingrediente para ser adicionado. Vinda da Europa, essa planta tem um sabor amargo (muito próximo da Chicória) que resulta um ótimo sabor quando misturada e refogada com outras hortaliças.
    Ilustrar a Panc que está sendo mencionada.
  • PEIXINHO DA HORTA (ou Pulmonária): Caso prefira um petisco, ou até mesmo uma receita que possa acompanhar molhos, o peixinho-da-horta é uma ótima dica. Rica em fibras, essa planta pode ser consumida frita e/ou empanada. Como planta medicinal, ela tem sido utilizada para aliviar irritações na garganta e faringe.

  • ORA-PRO-NOBIS (ou Carne de Pobre): É a mais conhecida e não poderia faltar na sua horta, pois, segundo alguns estudos, pode concentrar até 32% de proteína. Essa planta não exige manejo e se desenvolve com muita rapidez. Seu nome, em latim, significa orai por nós, e como é a mais conhecida, também tem o maior número de receitas. Dentre elas, podemos utilizar suas folhas, frutos, flores e brotos desde temperos ou acompanhamento para carnes até elas fritas.

  • BELDROEGA (ou Baldrega): Muito semelhante ao espinafre, pode ser utilizada em saladas, vitaminas, sopas ou molhos. Com sua diversidade culinária, ela é rica em vitamina A e C, ômega 3, cálcio e ferro. Indispensável para sua horta.

  • DENTE-DE-LEÃO (ou Coroa de monge): Também muito conhecida e vista em jardins e parques, o dente-de-leão pode ser consumido em chás e saladas, podendo até mesmo ser misturada em sobremesas. Porém, devemos estar atentos às restrições, uma vez que ela é contraindicada para gestantes.

  • URTIGÃO: Muito presente no nosso bioma, é ótimo na utilização das suas folhas e seus frutos. Além de ser anti-anêmica, também pode ser indicada para o tratamento de diabetes (lembre sempre de consultar seu médico) e alergias. Pode ser consumida ao natural (sempre cozidas e sem sementes), mas também como chás, geléias e tortas.

  • CAPUCHINHA: De fácil manejo, pode-se comer as folhas, as flores, as sementes e os talos da Capuchinha. Além de consumida in natura, podemos fazer sucos, chás e infusões. Prolifera com rapidez e além de alimentar nossos estômagos, nos presenteia com lindas flores.
  • TAIOBA:  Com folhas largas e uma coloração verde escura, pode ser uma ótima substituta do espinafre e da couve em saladas e sanduíches. Seu preparo consiste em refogá-la em azeite, com a folha completa incluindo seu talo. Ao mesmo tempo, é uma ótima ideia para decorar sua horta com suas folhas grandes, diferenciando-a de algumas pancs já citadas. Deve-se ter atenção para não consumir a ‘falsa taioba’.

  • ESPINAFRE MALABAR (ou bertralha roxa): Vinda da Ásia, essa planta possui flores rosadas e caule em cor de vinho, mas além de ser muito bonita, apresenta um sabor amargo e picante. Ela pode ser utilizada em saladas, sopas e também refogada junta a outros vegetais.
  • FEIJÃO GUANDU (ou feijão andu): Não tão comum na região sul do Brasil, esse tipo de feijão pode ser cozido (assim como o feijão preto), inserido em farofas e saladas, o que o torna um ótimo acompanhamento para arroz e carnes.

  • TREVO (ou trevo de 3 folhas): De fácil e rápido crescimento, os trevos podem ser facilmente inseridos nessa lista. Totalmente comestíveis, apresentam um sabor “azedinho” muito próximo ao limão, e geralmente é utilizado em saladas (com outras hortaliças), sopas e chás.

  • BATATA CARÁ: Que tal uma raiz comestível? Muito semelhante ao inhame, pode ser incluída nas mesmas receitas, sendo preparado cozido ou frito. Com um ótimo valor nutricional, é um ótimo pedido para seu café da manhã ou acompanhamento durante as refeições.

  • CARURU (ou bredo): É uma planta nativa das américas e muito resistente. Já adaptada a nossa região, é de fácil cultivo e proliferação. Podemos fazer uso das semestes, caule e folhas, tanto em saladas, refogados e molhos, como o pesto.
  • SERRALHA (ou chicória brava): Com uma flor muito parecida ao dente-de-leão, pode ter suas folhas utilizadas na culinária. Se adapta muito bem em diversos tipos de solo, se tornando fácil para ser cultivada em ambientes caseiros e urbanos. Apresenta um sabor amargo, porém, ao ser misturada com outros ingredientes, podemos fazer saladas, cremes e omeletes.

Algumas fontes para consulta

http://autossustentavel.com/2018/04/pancs.html

https://matonoprato.com.br

https://brasilescola.uol.com.br/saude/plantas-alimenticias-nao-convencionais-pancs.htm

http://www.conexaoambiental.pr.gov.br/Pagina/Pancs-Plantas-Alimenticias-Nao-Convencionais

http://www.ihu.unisinos.br/78-noticias/591220-plantas-alimenticias-nao-convencionais-pancs-livro-disponivel-on-line-e-gratuitamente-traz-receitas-com-plantas-comestiveis-pouco-conhecidas

https://ciclovivo.com.br/mao-na-massa/horta/e-book-gratuito-ensina-a-plantar-20-pancs-na-horta-organica/

https://www.hypeness.com.br/2018/10/5-especies-de-pancs-para-colher-e-comer-em-cada-uma-da-5-regioes-do-brasil/

https://www.metropoles.com/gastronomia/comer/artigo-o-que-sao-as-tao-desejadas-e-comentadas-pancs

Autores:

Fabiano Aita – Formando em Licenciatura em Ciência Biológicas

Rafael Holsback – Cofundador da Compostchêira

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